quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Há mentiras que parecem verdade

Há dias que parecem noite. Há noites em que eu não sei o que seria de mim sem a oportunidade de poder escrever... Sem a oportunidade de trabalhar até às 20h30 e esquecer de tudo, só por algumas horas. Só pra não enlouquecer. Hoje eu quero agradecer à vida pelas inspirações, ainda que nem sempre alegres, me restar as teclas do meu teclado, a folha sem linhas, a caneta ponta fina.

Há hoje's que parecem ontem, e sonhos que parecem nunca. Com todo o barulho que um silêncio pode carregar consigo, me tornei surda. Não quero mais ouvir coisas da vida, eu não posso mais suportar ouvir que não é a hora. Quando a gente acha que é isso ai daqui pra frente, é que o vento erra a direção e te joga na incerteza.

Há vazios que nunca vou saber explicar, e explosões absolutamente propositais... Querido Blog, hoje eu estou apenas cansada. Cansada da capacidade do outro em esquecer tão fácil. No mais profundo de mim, com preguiça de como alguém pode falar de amor como algo tão superficial. Talvez eu é quem não saiba sobre o amor.

Há momentos em que tudo que eu quero é fechar os olhos e esperar a vida passar. Mas tu és tão jovem! Há datas que eu simplesmente não quero viver, nem repetir. Nem entender porque um dia tiveram de nascer. É tão difícil acreditar em qualquer coisa, quando suas maiores paixões morrem num passado vezes presente.

E num mundo que chamei de nosso, já não há mais nada. Nada no nosso tudo. Tão vazio, que passou a ser o tudo que vivo em noites como esta. Comigo! É como tem sido, comigo. Porque mesmo que eu minta para mim mesma, lá no fundo, sabe-se mentira. Porque eu já não suporto mais perceber que o que foi verdade para mim, era a nossa maior mentira.

Só por hoje eu vou permitir que doa. Há amanhã's que parecem tudo que a gente tem naquele instante.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Números são infinitos

Gosto como a vida toca comigo. Dificilmente escolho os caminhos mais fáceis, e mesmo assim sempre tenho a sorte de encontrar pessoas que facilitam os passos. Nem sempre o mais difícil é pior. Costumo dizer que não troco minhas dificuldades por uma vida fácil, porque se assim fosse talvez eu não tivesse a bagagem que carrego, o que proporciona me desesperar raramente. Embora dramática, são poucas as situações em que me preocupo. Gosto de como a vida me ensina.

Os mais velhos costumam achar que os mais jovens podem aprender com bons conselhos ou exemplos, mas eu ainda penso que o melhor aprendizado é aquele vivenciado, sentido, curtido e todo o mais que a experiência nos traz. Se alguém me pedisse para resumir a minha vida eu responderia um número. Números explicam muitas coisas, datas são números e carregam tanta coisa consigo. Eu detesto datas, detesto a exatidão da matemática (por não poder modificar, principalmente), nunca lembro aniversários; mas, hoje entendi algumas coisas sobre números.

Algumas marés chegam para que a gente aprenda a descer do barco e nadar sem equipamentos. Tenho aprendido isto, me afoguei amargamente, mas reconheci uma parte de mim capaz de coisas que eu jamais poderia imaginar, e que até julguei sem conhecer. Gosto como a vida pode me surpreender. Eu aprendi que é nos piores momentos da vida que as coisas boas surgem, porque são intensas, porque são de repente e porque definitivamente se escolheram ficar nesse momento vêm sem interesse nenhum e por isso, são sinceras. E eu arriscaria até dizer, eternas.

Não porque serão para sempre, mas porque nos oferecem intensidades que modificam elementos nossos de forma definitiva. E o definitivo é eterno. Eterno é o autoconhecimento que vamos adquirindo ao longo do amadurecimento da vida. Vamos nos sentindo mais inteiros, embora nunca completos; gosto como a vida me fala sobre mim. Aqueles que nos rebaixavam, já não têm mais tal capacidade. Aquele chão que caiu já não é a única base que possuímos. Dores vão sendo elaboradas, novas dores vão surgindo e te mostrando que tu aguenta mais do que imagina e que algumas forças só surgem quando de fato é necessário, impossível de prever.

A superação de tudo isso é que te coloca numa posição tão imensa de plenitude contigo, capaz de olhar no espelho e afirmar: Gosto como a vida me fez até aqui! Vai surgindo um amor próprio, por tanta descoberta, gosto como ousei me conhecer nos últimos meses. Dizem que estar em sua própria companhia é frustrante, mas eu sempre apostei que estar frustrado era o primeiro passo para se alcançar o que mais cedo ou mais tarde, é preciso. Ousar ultrapassar limites, ousar entender que os queridos são os piores, ousar que a vida é algo admiravelmente individual e só você é capaz de modificar a sua.

Concluir mais um ciclo compreendendo todos os outros que já passaram, unir os fatos, entender coincidências que no fundo nunca existiram. Saber o seu lugar, por mais complexo e misto que ele possa ser, não necessariamente encaixar naquele padrão bonito, e se sentir infinitamente belo. Por encontrar alguém nada mais nem menos que à si. Este ano foi disparado o pior e o melhor ano da minha vida. Conheci lugares, reencontrei pessoas, vivi novos afetos, reconheci à mim mesma. Encerro este ciclo absolutamente agradecida. E sobre o resumo da minha vida? 2014.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Viva de paixão

É que não importa muito o quanto a gente tenha certeza no que diz, é geralmente nessas convicções que a gente trai a gente mesmo e dá com a língua nos dentes, como dizia minha vó. É possível a cada decepção jurarmos nunca mais cairmos no mesmo buraco, transformamos nosso coração em aço. 

Só porque a gente jura nunca mais se apaixonar por um idiota, é que nos deparamos com o próprio na fila do pão, justamente naquele dia de vestir a roupa pra passar, e sair com o cabelo sem arrumar... E ele? Ele... elegantemente em suas havaianas branca e azul, lindodemorrer pedindo "cinco pão". E cá está de novo varrido o louco do teu coração. Como dizia um velho amigo: Coração é uma merda!

Só porque a gente decide voltar pra madrugada, é que ela, aquela lá sabe? também decide dar uma vagabundada. E sair a noite perde de novo o sentido, de que vale mesmo estar na multidão perdido? E ela? Cheia de razão! Já teve um amor em vão.

Em algum momento da vida a gente vai achando que tá no comando. Mas por algum motivo que eu prefiro chamar de "estamos vivos", a vida descamba, o construído desanda. Que comando? Que verdade? Todos andando sentido qualquer fuga desta então feliz realidade.

E ainda sobre aquele juramento, os que não esquecem de cumprir, morrem antes de saber que no fundo, o que movia a vida era a paixão e que por alguma razão semelhante à vida sem ela, morre-se do coração. E se nem morrer mais é certeza, enquanto puder, enquanto houver tempo, enquanto ainda respirar vida, viva de paixão.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Luto insistente

É que a gente insiste naquilo que nem a gente sabe porquê. Ele não era tão bonito assim, mas a gente não esquece o jeito como ele segurava o violão e cruzava a perna direita sobre a esquerda. A verdade é que olhamos, mas não vemos aquilo que todo o mundo vê. De repente nem viamos o que realmente estava ali. É que a gente insiste naquilo que a gente quer ver, e isso nem sempre requer eternidade. Haverão tantas outras pessoas com o mesmo cheiro amadeirado, mas nunca mais aquele misturado com o frescor do pós barba dele.

Talvez por faltar resposta do porquê é que a gente insista, se alguém responder um dia é como se fossemos loucamente atrás de novas perguntas. Mas não é isso que acontece, então a gente fica sem saber, loucamente nessa fixação. A gente vai insistindo, deixando para lá qualquer conduta aceitável. Porque ele tinha tudo que todo homem tem, ombros comuns, mas ainda assim, a gente vai insistir em reparar naquela pinta no ombro esquerdo, que nasceu depois de conhecê-lo. Ombro que um dia, foi a base para não cair um mundo. 

É a forma como os pelinhos do braço tombavam para a mesma direção, com um redemoinho próximo ao punho. A forma de olhar de canto, meio sério, meio quase rindo. Aquele telefonema empolgado que depois virou chamada perdida e que a gente insiste só pra ouvir a gravação da secretária eletrônica de novo, de novo. Insiste na tentativa de que a morte só aconteça no final de filmes tristes. Insiste em depositar saudade no lugar de todo o resto.

Mas como nem ele mesmo foi capaz de corresponder tamanha eternidade, aquilo que nomeamos como "nossa vida juntos", vira "uma vida à continuar". E o que nos resta fazer com o entendimento de que a base do mundo nunca deve estar nas mãos de outro? ou nos ombros, melhor dizendo. A gente aprende que desenhar ao nosso modo, ilude nós mesmos. E que colocar na balança aquela mania dele em mentir é tão importante quanto aceitar que a perfeição de um infinito, teve fim.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Tanto faz

- Vai querer o quê?
- Bem, tanto faz.

"Tanto faz" não é resposta de quem não sabe o que quer, "tanto faz" é resposta de quem não sabe como falar aquilo que realmente quer. Porque eu não consigo acreditar que alguém realmente não tenha preferência por mussarela ou calabresa. E se a vida chegou ao ponto, em que vermelho e azul sejam indiferentes para esse sujeito, me desculpe, mas ele permitiu que a própria vida virasse um "tanto faz", em algum momento que podemos refletir sobre diversas questões.

- Quer começar?
- Tanto faz.

Quando a vida nos dá a oportunidade de iniciativa, "tanto faz" pode ser a nossa negativa, afinal quem começa não faz pergunta nem oferece alternativa, simplesmente toma a frente com ação. Se achar que é a hora, basta à você saber que é, vai. Comece. Escolha começar. Porque na vida nem sempre nos é dada a oportunidade de escolha, e ainda que não haja esta, houve então a escolha de uma não escolha. Como um plano de não plano, eu sempre digo isso. Mas que seja verdadeiramente tua essa opção e, de mais ninguém.

- Pedi laranja para você, tá?
- Já pediu? Ah, tanto faz.

Mas acontece que nem sempre a pergunta vem aberta, e aí fica ainda mais ousado você se opor ao "tanto faz", como se fossemos obrigados a responder aquilo que a própria pergunta nos traz. E não tô falando de perguntas concretamente, tô falando de convívio, de vida, de prática, de dados empíricos que pude observar. Algumas pessoas têm a covarde mania de provocar o "tanto faz" alheio e impedir assim, a existência do outro, que agora vive nas suas condições impostas. Não foi uma gentileza, foi uma condição controladora. A laranja já estava à caminho, mas naquele dia ele queria manga.

E ai chega no momento em que não há mais perguntas. Os gestos te humilham. A profundidade te domina. O "tanto faz" sentido te apaga. Em absolutamente qualquer época da tua vida, jamais se permita viver de momentos que tanto fazem. Dia nenhum "tanto faz" deve ser a tua resposta. Para que se por alguma razão, não houverem mais perguntas, seja somente o teu querer sobre si e sua existência que falem daquilo que nasceu para ser. Esta oportunidade é única, seja também.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Perdas

Perde-se a paciência, perde-se a hora ou até mesmo a consciência. Pode ser perdido porque de alguma maneira deixou de ser compreendido. Pode ser perdido porque deixou de ser ouvido, o som esquecido. Perde-se alguém, perde-se aquilo e por quantas vezes, perde-se o trêm. O trêm da tua sida, pra sarar tua ferida, o trilho à nova vida.

Perde-se a coragem, deixa-se de lado toda a vantagem. A gente perde a própria imagem. Perde-se a chave, chuta-se na trave, nota-se um passado que ainda invade. Perde-se porque quer perder, porque nunca veio a pertencer, porque mais cedo ou mais tarde iria mesmo morrer. Perde-se quando menos se quer perder e, quando mais se acha capaz de conhecer.

Porque perder faz parte, participar é a grande arte. Nessa busca pela verdade, encontrar realidade. Perde-se a ilusão, encontra-se com o luto e se renasce para a razão. Perde-se a inocência, vive-se a adolescência, fruto da inesquecível experiência. E por fim, entender que nada foi perdido, nem tão pouco lhe proibido. Perdas que modificaram fatos, por pura consequência de seus próprios atos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Quais são as suas palavras?


Porque só meu nome não diz quem sou eu. Amo as palavras porque elas nos permitem a comunicação, informação, expressão, emoção, etc. Eu sou completamente apaixonada pelas palavras em um texto, e seria mesmo se não soubesse ler o que está escrito. Não entendo isso, eu simplesmente amo palavras. 

Acho bonita qualquer caligrafia, porque carregam consigo todas as palavras daquela pessoa, como, personalidade. Quem nunca ouviu de um amigo: Obrigada pelas palavras! Já existe até a nomenclatura palavra-de-amigo. Então palavras também são presentes que doamos à alguém que as espera; ou não espere tanto assim, mas precise delas.

Se palavras são a união de letras que geram significados, então não existe letra feia, existem letras carregadas de uma história diferente da nossa. Rotulamos mais uma vez de feio aquilo que não é familiar, só pela vaidade de não reconhecer que o diferente pode ser até mais interessante do que nós mesmos. Essa dinâmica só é possível através das palavras. Mas hoje eu só quero te apresentar à você.

Lhe trago hoje a questão: Quais são as tuas palavras? Aqui vale tudo, sem críticas e/ou desaprovações, porque ninguém pode saber ou avaliar melhor as tuas palavras do que tu mesmo. Se tu tivesse que se resumir em cinco palavras, isso seria possível? Tenho certeza que sim. Não precisa de ordem cronológica, nem regras... verbo, coisa, sentimento, sexta-feira, qualquer coisa. Defina-se, e descubra que tu és absolutamente incrível. 

Música - Árvore - Psicologia - Espiritualidade - e Palavras.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Quase ninguém ama

"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade" 
(1 Coríntios 13:4-7)

O maior barato de falar do amor é que ele existe em todas as categorias possíveis, mas jamais em medidas. Podemos amar absolutamente tudo, mas nunca ter conhecimento do quanto o amamos, porque amar não tem peso físico, embora toque nossa carne de felicidade e dor, o amor dispensa a ciência. Ama-se a banda favorita, o cachorro, ama-se a pátria, o time, ama-se a família, ama-se a si próprio. É tanta categoria, quero dizer, pode ser gente, coisa, lugar, sentimento, ego, tudo... O amor realmente está em tudo, até naquele ódio de não conseguir odiar nem por um instante. Sem a possibilidade do físico, pesa-se em profundidade, sem dúvida que sim. Porque dói. Sua moda de rima sempre é a dor, nas músicas, poemas e principalmente na vida.

Isso acontece possivelmente porque estamos confundindo o sentido do amor, colocamos ele numa posição e acreditamos que a profundidade do outro pode ser medida. Tu me ama, mas tu me ama assim igual eu te amo? Podemos falar eu te amo, mas não poderemos afirmar que a pessoa compreendeu a profundidade disto para ti, nem mesmo a pessoa quem diz sabe, nunca saberemos. E o ser humano tem um antigo costume obsessivo de sofrer pelo que não pode controlar. Isso dá razão para as rimas. Neste caso, a expectativa é a palavra par do amor, andam muito perto e isso é um grande risco. Ama aí da forma que lhe ocorre, mas deixa o outro amar a sua maneira. Para mim, o grande par do amor, no mundo atual, é a palavra doença. Assim como o amor é confundido quando passado de pessoa para pessoa em palavras subjetivas, também acontece com o limite do amor.

Como sempre digo, até o limite tem limite nessa vida. E tudo que acaba, dá abertura para algo começar; quando acaba o limite, começa a doença. O amor tem ocupado o lugar da vida, enquanto que o amor é só mais um fator que move a vida, é diferente de ser a própria vida. Enquanto o amor for colocado no lugar do chão que piso e ar que respiro, haverá dor. Acredito que aquela passagem da Bíblia sobre o amor está sendo mal interpretada, é linda e nos ensina o real amor, mas devemos sempre lembrar do mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo. (vou repetir, como a ti mesmo, mais ninguém).

Na dificuldade de nos amarmos primeiro, tornamos impossível o amor ao próximo, julgamos o amor do outro como se não fosse real só por não ser igual ao nosso. Mas escolhemos um único elemento para amar loucamente, egoistamente e confundimos todo o amor ensinado ao mundo. Vejo gente matando e morrendo por amar demais e me pergunto se na verdade, não matam e morrem por adoecer demais? Lembro de um amor que tudo sofre, crê, espera e suporta. Quem morre não pode esperar por nada, crer muito menos. E não tô falando de morrer real, nem do matar homicídio. Quem ai tá morto há anos e não se deu conta? E quem aí reconhece que matou a esperança de alguém por brincar de seduzir?

Mas amar não é brinquedo, nunca foi e nunca será. Isso foi aumentando numa proporção absurda e, tenho observado, que por fim, quase ninguém ama. Uns são doentes e outros apenas se defendem do medo de amar. Não existem formas erradas de amar, existem formas erradas de entender o que é o amor. Essa palavra pequena desencadeia infinitas respostas no coração de quem a ouve; na dúvida, cale-se para si mesmo e a única coisa que o outro saberá com isso... é a tua verdade.

sábado, 23 de agosto de 2014

Flashes de uma vida

Quando vemos alguma foto antiga nossa, vêm os comentários né!? Porque naquela época eu era morena, eu morava em tal lugar, estudava com fulano, e blábláblá.. A clássica "Nossa, com eu era magra!", quem nunca? É bom rever fotos, porque nos recordam bons momentos, e se os momentos não eram tão bons assim, pelo menos podemos analisar que tudo nessa vida passa e hoje há novos obstáculos que no futuro serão só fotos pra recordar. É bom ver o que evoluímos, realmente isso é muito bom.

No passar dos anos vamos mudando o corte de cabelo, alguns lugares que frequentamos, entre outros costumes. E os costumes antigos vão sendo guardados em um espaço que não é esquecimento, porque ainda podemos recordá-los, mas existe um lugar não físico que guardamos aquilo que com o tempo deixam de receber a nossa atenção no momento, deixam de ser "a gente" dali em diante. Vamos mudando algumas gírias, e até pessoas da vida. Nossa personalidade é a mesma, e são tantos estímulos externos que vamos modificando de alguma maneira a nossa própria identidade. Posso até lhe contar o segredo de que muitas vezes, só para agradar ao outro passageiro, que também passou, passado. 

Foram tantos tropeços que hoje a gente não cai mais tão facilmente, mas também não se apaixona mais aquelas borboletas de antes. Às vezes, nunca mais. Foram tantos amargos que hoje não é qualquer probleminha cotidiano que nos faz chorar, mas também esquecemos aquela sensibilidade de observar porque as formigas andam tão perfeitamente em fila, por que nenhuma desvia e foge aventureira? Nascem novas questões, como por exemplo, que que eu vou fazer agora com essa saudade?

Sim, viver é evoluir, mas observei que a evolução também é deprimente, maliciosa, cansativa. Dai me perguntei como faço pra voltar pra mim? Me quero de volta, vida. Mas a vida tá passando, já guardei minhas essências na pasta do quase esquecimento e descobri que aquela saudade era de mim mesma. Como pude me esquecer de mim? Não existe evolução que se regresse e não podemos saber disso até que se queira regressar. Quando se sabe, quando se quer, já virou fotografia.