terça-feira, 10 de junho de 2014

Aquilo que me coisa

Sempre esse caderno sem linhas e essa vontade de ir para qualquer lugar que por alguma razão nunca é um lugar concreto, ou possível, ou perto. A velha vontade de jogar tudo para o alto e apenas ir... Aquela vontade de estar dentro deste avião que está passando agora, não importando o seu destino, apenas estar lá à caminho de qualquer sentir. Insistência esta de me envolver com aquilo que não dou conta, sem perceber à mim tamanha afronta. 

Como se a vida fosse esta página sem linhas que limitem o escrever, se eu quiser de repente mudar a direção ou fonte, nada me impeça de fazer. Essa neurose que me faz repetir, repetir e querer mudar tudo só para repetir outra vez. Esse desejo do que ainda nao é, nem nunca será talvez. Porque é massante, porque é concreto demais, estressante. Pode até ter pertencido a lugares e coisas, mas sabia-se também este, viajante. 

Ondas que se formam de repente, causam um pequeno ou grande caos e que se vão assim como vieram. Intensas no presente, lembradas num futuro e absolutamente inexistentes de um passado que na verdade se esqueceram. Essa insatisfação que me cala, este grito no silêncio que me abala. Essa obrigação de que devemos estar no mesmo lugar que nosso corpo.

Como se fôssemos nada além deste monte de carne e osso. Como se a minha mente não estivesse naquele voo, como se ao desembarcar eu também não estivesse de volta ao corpo. E no fundo, entre essas não-linhas, eu soubesse que, naturalmente, nunca estive perto de ninguém e já não sabendo o que fazer com a neurose, desenvolvi essa maldita falta de aventura que me faz optar pela loucura. 

sábado, 7 de junho de 2014

Fernandão, nosso eterno capitão.

Quem me conhece sabe da minha paixão colorada e brasileira... Em festa com a chegada da Copa do Mundo no Brasil, me peguei nesta madrugada procurando uma imagem que unisse Brasil e Internacional para minha capa do Facebook. Quisera eu acordar nesta manhã e continuar neste ritmo. Mas hoje não tem colorado e gremista, hoje tem respeito, reconhecimento e dor. Quisera eu por um instante acreditar que não passou de mais uma brincadeira de mau gosto das redes sociais. Quisera eu, tu por uma eternidade nos dando alegrias. Que lá de Goiás levou a plagas tão distantes feitos relevantes. Viveu, brilhou e por tanto fez brilhar meu colorado. Aquele que minha filha saberá quem foi. As mãos que levantaram a taça em 2006 e foi motivo de festa em nossos corações. Quão alegre emoção nos deu este eterno capitão! Sorte que a tua história fez parte da história do Internacional; sorte dos clubes que tiveram a honra de marcar a tua história como profissional, e estes que me desculpem, mas que satisfação pelo estigma de ídolo Internacional. Que teus astros cintilem num céu sempre azul e que todo brasileiro vibre por um jogador que foi e sempre será orgulho do Brasil. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Marina

Existem pessoas que amam, existem pessoas que depositam em outra pessoa a grande responsabilidade de serem a sua real razão para viver. Algumas pessoas têm esse alguém ao qual não existiria razão para existir sem. Eu tenho uma Marina. Mas não é uma Marina qualquer; a Marina da minha história se tornou a real razão de muitos para continuarem uma luta chamada "Tenho esclerose múltipla".

Há alguns dias minha irmã, portadora de esclerose múltipla há 2 anos, criou um blog pessoal nomeado MGMAFRA, onde ela discorre num estilo diário super atrativo e cômico sobre a doença. Este meu post é para divulgar seu trabalho esplêndido; mas também para que todos saibam de uma luta chamada: "Porque não eu?"

Hoje em dia é difícil ver irmãos como Marina e Marília, devo esta gratidão à nossa mãe que sempre castigou a culpada e a cúmplice por jamais entregar a outra, eu geralmente era a cúmplice, quase vítima pela frequência rs. Assim crescemos, juntas no bom e ruim. Não poderíamos imaginar que algo de tão ruim estaria por vir anos mais tarde.

Em 2011 descobri que eu estava grávida; ano de TCC na faculdade, tomando anticoncepcional, com uma convocatória dos Médicos Sem Fronteiras na caixa de entrada do meu outlook. Poxa, a rescem casada é a Marina, porque eu?? Também não poderia imaginar que em poucos meses eu me faria justamente a pergunta inversa.

Como geralmente nada sai como planejo, logo vi o lado maravilhoso da mudança de planos. E não demorou para a minha Marina ter a primeira internação. Eu ficaria aqui escrevendo estrofes infinitas, não seria novidade para ninguém. Mas eu respondi a minha pergunta, somente o amor da maternidade para me fortalecer no medo pavoroso de perder a minha cúmplice.

Como neurótica estudante da ciência humana, fiz contato com uma representante brasileira de doenças autoimunes na Índia, descobri um laboratório lá que faz tratamento com células troncos, inscrevi a Marina. Como arrumar as células? Planejei outro filho. Como pagar o tratamento? Venderíamos os carros, daria para pagar passagens pra ela ir sozinha e receber um mês de tratamento.

Enquanto a Marina lutava para andar e tentava sobreviver com aquele pesadelo, eu aprendia a tabuada para calcular toda a grana envolvida. É claro que eu estava fora da realidade e os cálculos mais perdidos que minha cabeça. Encontrei um médico com tratamento alternativo no Brasil, liguei e agendei a consulta, achei que estava no controle de tudo. Só esqueci de perguntar à personagem principal o que ela realmente gostaria de fazer com a própria vida. Liguei e desmarquei a consulta.

E pela primeira vez em 22 anos, algo ruim fez com que nos afastássemos por um tempo. Antes que eu enlouquecesse nós duas com meu desequilíbrio. No meio disso tudo a nossa Sophia. Eu não parei de estudar, voltei de licença maternidade e virei uma célula tronco gigante ambulante. Tudo o que eu queria saber com toda aquela pesquisa, era na verdade: "Porque não eu??"

Quem nunca se fez essa pergunta não sabe o que é se sentir impotente. Após 2 anos, com este blog que hoje divulgo, em um post que venho elaborando há dias, eu, ou a minha própria Marina, respondem a minha pergunta. Não foi eu pelo principal detalhe que acabei deixando passar pelo desespero. A Sophia chegara. A esclerose múltipla também. Ambas teriam de chegar. E as duas não poderiam vir na rescem casada.

Eu enfrentaria essa parte por nós duas, afinal, sempre fomos uma só, lembra? Todos os meus planos mudaram, porque eu não teria a força que essa guerreira teve, e recebi a parte mais leve, a parte da irmã mais nova. Para que a missão dela fosse cumprida sem interromper a chegada da Sophia. Hoje somos mães e a própria Sophia prova isso em suas preferências rs.

Eu não posso viver os sintomas da esclerose, mas sou cúmplice nessa dor, tô de "castigo" junto! A Marina não pôde dar a luz a Sophia, mas basta ela chegar para o mundo da Sophia fechar nas duas, e que por sinal veio a cara dela. Este post é para a minha Marina, mas principalmente aos familiares de portadores de E.M. que também se perguntam "Porque não eu??" 

Vai doer todos os dias a impotência, mas eu prometo que a cada dia desses, as coisas vão lhe mostrar que para ter esclerose múltipla não basta ser só alguém assim como eu e você, tem que ser uma Marina.









sexta-feira, 4 de abril de 2014

Princesas na minha disney



Olhar as princesas da Disney sempre me traz a mente as minhas amigas, quem nunca buscou identificação em cada história? A incrível coincidência - ou não - daquelas que mais se parecem fisicamente também serem as mais semelhantes em desejos e história. Aquela que sonha em um mundo sempre diferente, que canta docemente e conquista o que quiser com tamanho talento @mgmafra ... Aquela que às vezes parece que nasceu para viver esse romance, mas que seu príncipe por algumas vezes mais parece uma fera, no entanto bobo por ela @tatahonorato ... Aquela que prova que podemos ser princesas e lindas até com aquele cabelo diferente do padrão e esquisitices como andar com anão @charlottesometimes_ ... Aquela que já voou mundos em seu tapete mágico da imaginação, mas escolheu aquele príncipe que ninguém imaginava e que se saiu melhor que qualquer outro @carlamerello ... Aquela que ama, simplesmente ama, com os olhos, com a doçura meio espalhafatosa e que vale mais que o ouro de seus longos cabelos @natipmora ... Aquela que soube esperar, que superou muita gente e no final deixou inveja pra uma cidade inteira engolir porque somente ela coube no sapatinho de cristal, essa eu rebobino a fita e assisto quantas vezes for permitido @adriana_g_lima ... E aquela que me traz a cultura oriental, quase contida, meio abrasileirada, que poderia ter o príncipe que quiser, mas sonha com o guerreiro impossível e vai à guerra para conquistar @mayarahashimoto ... Claro que existem muitas princesas por aí, mas a Disney tratou de criar justamente as minhas amigas. Que massa, não?! Amo vcs.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Abri mão

Talvez eu ainda não esteja pronta, talvez só não esteja disposta a dividir minha prateleira de livros, nem abaixar a tampa do vaso sanitário. Talvez amanhã eu nem escreva sobre como me arrependi. Porque principalmente hoje, eu não quero ouvir conselhos; de mim e do que passei, quem sabe? Cada qual sabe parte, mas e o todo de mim? Pode acontecer de eu conseguir. O fim é tão relativo quando ainda estamos vivos. E quem de fato morre?

Perdi as minhas maiores certezas, perdi a fé e a refiz, respondi perguntas, abri novas questões, servi novos pratos à minha frente. Parte disto pode ter me transformado em qualquer coisa que não queira mais tolerar. Foram poucas as oportunidades que vi se repetirem e, eu não posso perder mais meu tempo, seu tempo, tempo de tudo que me rodeia, por exemplo os planetas desta galáxia, entre tantas outras tão maiores.

Tudo se movendo o tempo todo e eu nesta sala a pensar sobre o jantar. Realmente, talvez eu ainda não esteja pronta nesta vida. Meu "mundo cozinha" se expandiu, eu quis voar. E voei. Voei para tão distante daqui e de tudo que todo o mundo chamou de mundo perfeito. Talvez eu seja doida demais para aquela perfeição. E me desagradei. Faltou e eu voei, pulei fora, nadei contra a corrente. 

Porque eu nunca fui todo mundo. E este foi o grande erro, vindo de mim mesma, tentei fazer o que todos diriam que seria perfeito, me esquecendo de tamanha imperfeição minha. Acabei com os sonhos desse povo todo, povo este que nada têm com a minha maluquez. Se eu tô preocupada? É o que o mundo todo faria. Sinto-me livre, sinto-me muitas de mim, de várias eras, de vários mundos.

Porque eu não nasci para amar pessoas apenas, amo lugares que não me prendem e coisas que me atraem com a liberdade de sempre querer voltar, amo cheiros meus e cheiros que vão e vêm, corem que ficam na memória. Sim, eu preciso disso para sobreviver e, não poderia mais viver a beira da morte, presa longe de quem sou. Por mais ingrato que isto soe para todo o mundo, eu nunca fui parte deste mundo todo. Abro mão.

terça-feira, 18 de março de 2014

É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações.
Khalil Gibran

sábado, 8 de março de 2014

Poema de gratidão

"Muito obrigado Senhor!
Muito obrigado pelo que me deste.
Muito obrigado pelo que me dás.

Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza.
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil
E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.

Por eles eu oro e a ti imploro comiseração
porque eu seique depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro
A melodia do vento nos ramos do olmeiro
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir
Porque eu sei
Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia
Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.
Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.
Oro por eles
Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova
Eles cantarão!

Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos
De caridade, de solidariedade
Mãos dos adeuses
Que ficam feridas
Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!
Pelas mãos que atendem a velhice
A dor
O desamor!
Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.

Eu oro por eles
Porque eu sei, que depois desta expiação
Na outra reencarnação
Eles também bailarão!

Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar!
Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!

Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um tecto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.
Pelo contrário, eu te direi

Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti
Pelo teu amor, obrigado senhor!"
Poema de Gratidão - Amélia Rodrigues (Divaldo Pereira Franco)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Viajei com um anjo

Eu não poderia deixar de registrar, sim, existem anjos e alguns cruzam por nós sutilmente, que nossas próprias barreiras não nos impeçam de enxergá-los. Peguei um ônibus com a Sophia, cheia de mochila, um calor desgraçado.. optei por sentar naqueles bancos unitários para evitar maiores contatos devido ao calor. Eu fui ridícula. Não demorou para eu perceber que o sol batia no nosso lado da janela, ...quase insuportável. Olhei para o outro lado e tinha uma senhora muito simples, roupas gastas, posso arriscar até que o cheiro de urina que sentia vinha dela, ao seu lado tinha um lugar vago. Ela olhou para mim e disse "Sentem aqui comigo, aqui o sol não bate".
 
Atrás do óculos espelhado, eu diria super cafona, olhos bem marcados pela vida, a gente sente se olhar bem fundo. Eu aceitei, fomos para seu lado, a Sophia logo lhe deu sorrisos e ela retribuiu dizendo "tá estranhando esse cabelo duro para cima né?". Quem me conhece sabe o quanto eu detesto conversas "de elevador" em lugares públicos, mas aquela senhora me derrubou com sua simplicidade. Eu deveria ter sentado ali desde a hora que entrei no ônibus, com ou sem sol e ter aproveitado ela desde o início. Ela conhecia quase o Brasil todo por causa da música, em sua juventude fazia parte de um grupo de dança, tem o dom da música, canta e compõe lindas canções. Falamos sobre o calor sim, mas ela também me deu uma rica aula de chás terapêuticos, como a minha vó Geny fazia e, me desmontou de saudades da minha véia.
 
Com 73 anos não tinha 1 problema de saúde nem tomava remédios, segundo ela, devido aos chás preventivos, me explicou aonde comprar e como preparar. Eu viajei com um anjo aquele trecho, tenho certeza. A sofisticação da música está nas coisas mais simples que podemos imaginar e, a simplicidade tem muito mais a nos ensinar do que qualquer outra coisa nesta terra. Porque o que vale é a alma, o espírito, a história de vida e não o corpo, nem mesmo se ele esteja com cheiro de urina ou sujo. Diante de tantas publicações de ostentação que leio todos os dias, tantas reclamações e fotos de viagens de valor, eu não poderia deixar de falar de um anjo chamado Ita Loá, que eu tive o imenso privilégio de conhecer em um ônibus público na cidade de Guarulhos/SP. Que a gente tire os olhos do próprio bem estar e enxergue a nossa volta.