sábado, 8 de março de 2014

Poema de gratidão

"Muito obrigado Senhor!
Muito obrigado pelo que me deste.
Muito obrigado pelo que me dás.

Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza.
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil
E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.

Por eles eu oro e a ti imploro comiseração
porque eu seique depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro
A melodia do vento nos ramos do olmeiro
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir
Porque eu sei
Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia
Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.
Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.
Oro por eles
Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova
Eles cantarão!

Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos
De caridade, de solidariedade
Mãos dos adeuses
Que ficam feridas
Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!
Pelas mãos que atendem a velhice
A dor
O desamor!
Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.

Eu oro por eles
Porque eu sei, que depois desta expiação
Na outra reencarnação
Eles também bailarão!

Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar!
Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!

Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um tecto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.
Pelo contrário, eu te direi

Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti
Pelo teu amor, obrigado senhor!"
Poema de Gratidão - Amélia Rodrigues (Divaldo Pereira Franco)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Viajei com um anjo

Eu não poderia deixar de registrar, sim, existem anjos e alguns cruzam por nós sutilmente, que nossas próprias barreiras não nos impeçam de enxergá-los. Peguei um ônibus com a Sophia, cheia de mochila, um calor desgraçado.. optei por sentar naqueles bancos unitários para evitar maiores contatos devido ao calor. Eu fui ridícula. Não demorou para eu perceber que o sol batia no nosso lado da janela, ...quase insuportável. Olhei para o outro lado e tinha uma senhora muito simples, roupas gastas, posso arriscar até que o cheiro de urina que sentia vinha dela, ao seu lado tinha um lugar vago. Ela olhou para mim e disse "Sentem aqui comigo, aqui o sol não bate".
 
Atrás do óculos espelhado, eu diria super cafona, olhos bem marcados pela vida, a gente sente se olhar bem fundo. Eu aceitei, fomos para seu lado, a Sophia logo lhe deu sorrisos e ela retribuiu dizendo "tá estranhando esse cabelo duro para cima né?". Quem me conhece sabe o quanto eu detesto conversas "de elevador" em lugares públicos, mas aquela senhora me derrubou com sua simplicidade. Eu deveria ter sentado ali desde a hora que entrei no ônibus, com ou sem sol e ter aproveitado ela desde o início. Ela conhecia quase o Brasil todo por causa da música, em sua juventude fazia parte de um grupo de dança, tem o dom da música, canta e compõe lindas canções. Falamos sobre o calor sim, mas ela também me deu uma rica aula de chás terapêuticos, como a minha vó Geny fazia e, me desmontou de saudades da minha véia.
 
Com 73 anos não tinha 1 problema de saúde nem tomava remédios, segundo ela, devido aos chás preventivos, me explicou aonde comprar e como preparar. Eu viajei com um anjo aquele trecho, tenho certeza. A sofisticação da música está nas coisas mais simples que podemos imaginar e, a simplicidade tem muito mais a nos ensinar do que qualquer outra coisa nesta terra. Porque o que vale é a alma, o espírito, a história de vida e não o corpo, nem mesmo se ele esteja com cheiro de urina ou sujo. Diante de tantas publicações de ostentação que leio todos os dias, tantas reclamações e fotos de viagens de valor, eu não poderia deixar de falar de um anjo chamado Ita Loá, que eu tive o imenso privilégio de conhecer em um ônibus público na cidade de Guarulhos/SP. Que a gente tire os olhos do próprio bem estar e enxergue a nossa volta.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Naqueles dias

É a minha primeira postagem de 2014, estou entrando em meu 7º ano de Blog, o que vai tornando cada vez mais difícil coragem para cancelar enfim esta página. No fim das contas, vez e outra, eu sempre acabo passando por aqui. Movida pelas minhas emoções, boas ou ruins, acabo voltando aqui. E para meus próprios registros, valerá a pena um dia.
 
Para um início de ano eu gostaria de postar coisas bem legais e positivas, mas nem todo começo é bom. Sem falar do maior calor da história da minha vida, posso afirmar que já tive dias melhores. Dias que deixaram saudade em todos os outros que viveria, e eu nem sabia o quanto isso era verdade. Há alguns dias acesso meu blog, escrevo, deleto e vou dormir, talvez eu desista hoje também. Porque há momentos em que o silêncio fala por nós, até mais do que qualquer frase ou texto bem elaborado e pensado. Outro dia minha irmã me marcou em uma foto no Instagram, quando alguém marca a gente nos sentimos quase que na obrigação de comentar qualquer coisa, na tentativa de corresponder talvez, eu não sei, comigo é assim. Mas eu não tinha palavra praquela foto, tratava-se de um daqueles dias de saudade em todos os outros.
 
Sempre que sinto vontade de pedir o conselho de alguém experiente sou obrigada a me lembrar que a minha vó Geny não está mais neste plano carnal, mas eu ainda estou e a saudade dói de fato na carne. Por instantes penso que espírito não sente dor, e me pergunto se ela sente saudades daqueles dias como eu. Se tem uma coisa que aprendi em meus 20 e poucos anos é que nem todas as minhas perguntas terão respostas, pelo menos não na hora que eu quero; que tudo sairá do meu controle quando eu mais precisar e que as pessoas que eu mais amo partirão da minha vida como num piscar de olhos, sem conotação. E tudo aquilo será apenas dias de saudade em todos os outros. Por mais amargo que possa parecer, é mais que isso, porque a pior saudade é aquela de nós mesmos, de quem um dia fomos naqueles dias.
 
Quando vejo a minha filha fazer coisas incríveis para a idade dela, concluo que a evolução humana é extraordinariamente linda de se observar, um tanto cômica também e, contraditória quando me vejo tão igual aos meus pais. É um bando de neuróticos na tentativa de concertar o que julgamos erros do passado, recriando novos erros igualmente, desta vez com ferramentas modernas, como um cérebro mais desenvolvido talvez, não sei o que entender por evolução humana, deve ser tudo menos psique. É como se a cada dia o mundo estivesse mais doente "da cabeça" invisível, sem remédio, e os médicos como principais enfermos. E aí me bate aquela saudade dos dias que eu não vivi, quando a minha bisa Joana ainda guria deve ter vivido uma infância ignorante de tecnologias no interior do sul do país, mas cheia de vida. Estes sim foram dias de saudade em  todos os outros até o fim, aqui dentro de mim.
 
E também como primeira postagem do ano eu sempre gosto de falar das minhas expectativas para o novo ciclo e todo aquele blábláblá que sempre tento aderir... desta vez nada tenho a dizer. Dos planos que já fiz para minha vida, tá, virou piada. Já que nada acontece como nos planos mesmo, meu plano para este ano é não planejar nada, o que para os críticos já será um plano em si, mas se for para ter um plano que seja um plano de "não plano". Porque às vezes a vida decide melhor que nós, e no meu caso, melhor nem entrar neste ponto. Quem sabe assim hoje se torne um dia de saudade em todos os que ainda virão.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Evoluindo


Dizem que atraímos as pessoas que irão nos ensinar algo, sempre. Que cada pessoa que cruza nosso caminho tem um propósito. Eu não vivi muito ainda, mas dá pra sentir isso da vida, parece que é assim que as coisas acontecem mesmo.Sempre vi a vida como algo precioso, que não devemos dar tanto valor assim ao dinheiro, afinal nada levaremos daqui. Eu conheci novas pessoas, que estão me ensinando como sei tão pouco do que é viver intensamente. Natural é aproveitar um dia por vez, porém, e se pensarmos que o relógio não é crescente? E se pensarmos que temos 80 anos de vida e, que no meu caso, me restam apenas 56 para fazer tudo valer a pena? O que são 56 anos?? Apenas! Quando nascemos dispara o relógio com o tempo que viveremos, a cada novo aniversário, em vez de "um ano a mais", é na verdade, "um ano a menos"! Um ano a menos que teremos para mudar qualquer coisa que fizemos. O tempo não volta, não temos este domínio de voltar ou parar, no entanto, temos o domínio do que faremos. 

Vendo por este lado, que maravilhoso esse calor excessivo em São Paulo. Quero levar minha filha para escola a pé todos os dias, porque amanhã eu terei um dia a menos para mostrar à ela o papai Noel da terceira quadra aqui da rua. Enfrentar o trânsito é o que me faz viva neste dia a valer! Não é positivismo, é apenas sentir-se viva. Quando minha avó morreu tive uma vivência maluca com a minha própria existência, como se viver não fosse tão extraordinário como eu imaginava, porque um dia tudo iria acabar mesmo. Eu me deparei com a morte novamente, perdemos um amigo querido para o câncer, nós não tivemos domínio, veio como uma avalanche, e levou ele da gente em apenas 2 meses. Jovem para morrer. E quem sabe qual o total de anos que tem no relógio da nossa vida? Esse é o grande mistério e glamour de estarmos aqui; desta vez a morte mexeu comigo de outra forma. Talvez eu tenha mais uns 50 ou 60, mas talvez bem menos. Seja lá o que for, gastar isso julgando alguém? Dormindo demais? Guardando todo o dinheiro que recebo? Me preocupando com a opinião de outros sobre mim? Definitivamente não. 

Sabe, existem problemas, não vou negar, mas sem eles não existiria evolução. E viver por viver, estacionada no mesmo lugar, me impediria de conviver com pessoas, me impediria de conhecer pessoas incríveis como aconteceu nos últimos meses. Quero hoje agradecer por ter vivido dias horríveis, porque todas as vezes em que me senti na pior, encontrei alguém que me ajudasse e são pessoas que venho somando dentro de mim. Mesmo que nem todas estejam presentes fisicamente. Eu não sei ainda quantos anos me restam, o meu aniversário está chegando e será um ano a menos... Vou respirar o cabelo da minha filha, porque este é o melhor cheiro de toda a minha vida. Vou cultivar a minha árvore aqui da sala, porque ela poderá viver comigo tudo o que ainda virá, cheia de energia. Vou aceitar o péssimo português e mau humor do meu marido, porque ele tem a maior inteligência geográfica e engenheira que já conheci, mesmo. 

Vou telefonar mais para os meus amigos, porque definitivamente são eles quem estavam quando eu precisei, foram eles quem me seguraram literalmente nos braços quando a minha irmã caiu em um hospital e, também foram eles quem me ligaram quando ela foi curada e falaram "Eu estou muito feliz por vc!"... Estes, eu NUNCA deixarei de ligar. Por mais difícil que seja para mim, pegar o telefone e ligar para alguém. Mais que isto, é ter a minha casa cheia, bater papo até 7h da manhã, acordar com a sala cheia de colchão e gente querida; é todos irem embora e ter uma bagunça imensa para arrumar toda segunda-feira de manhã, porque nesta casa existe vida. Vou perdoar até quem não pedir perdão; amar até quem não me amou; respeitar até quem não é ser vivo; aceitar até quem não merece. Afinal, daqui alguns dias eu terei 1 ano a menos e, quero que dê tempo de fazer absolutamente tudo, para que a minha vida não tenha sido em vão; viver de coisas pequenas deixa recordações pequenas. Vou viver para deixar grandes lembranças, para minha filha, meus amigos, a quem merecer, ou não.

Esta inspiração eu quero registrar em meu Blog em memória do nosso querido amigo. É de coração apertado que hoje escrevo. Mas agradecida, por conhecer pessoas incríveis por onde passo.

sábado, 20 de julho de 2013

Amigo


Amigo. Quem sabe definir a palavra amigo? É difícil botar em palavras algo tão grandioso, né?! Por muitas vezes eu julguei meus amigos e os tirei da minha vida, perdi muitos amigos sendo assim. Radical ao ponto de não aceitar os erros do outro. Com o tempo fui aprendendo que eu também erro, que aquela atitude era imaturidade minha e, que humanos são falhos e irão falhar comigo. Quase que sempre. Respeitar esses erros, defeitos, expectativas frustradas é ser amigo. Ser amigo é amar o cara pelo que ele é, do jeito dele. Porque se mudar deixará de ser quem a gente conheceu e passou a chamar de amigo. Quem não tem um amigo chato? Um amigo metido? Um amigo mão de vaca? Um amigo boca suja? Tem de tudo... Isso que faz as diferenças, afinal, quão chato seria um grupo de iguais. Tem amigo que te tira do eixo, outro que te equilibra. 

Tem aquele favorito, sabe? Aquele que tu morre de ciúmes, tem esse também. Tem aquele amigo que só te mete em encrenca, mas que te faz rir disso tudo depois que passa. Eu sou muito família, e sempre me pego pensando o que seria de mim sem os meus amigos. Porque amigos são a nossa família. Buscamos nossas amizades pelas afinidades, mas quando conhecemos a pessoa a fundo vemos o quanto somos absolutamente diferentes, porque a afinidade é apenas para uma aproximação, não existem pessoas iguais. E isso é o incrível da relação entre os amigos. Tem o amigo pai, e o amigo Pai Celestial. Amigo pode ser aquele sábio e velho avô, este amiguinho é eterno, não?! A minha vó foi e sempre será minha grande amiga. 

Amigo é também aquele famoso melhor amigo do homem, com patas e focinho gelado, os mais fiéis que tive o privilégio de conhecer. Tem aquele amigo que lê o teu silêncio e aquele que grita “Goooooool” e te abraça forte. Tem aquele também que tá longe hoje, mas sempre perto do coração e, para estes, viva o Facebook! Amigo é a razão que temos na sexta-feira a noite para esquecermos de tudo e “Tim Tim, à nossa amizade!”. Tem também aquele amigo que fala com os olhos, que segura a gargalhada e depois solta como se fosse a última de suas vidas. Amigo que te escolhe para chorar as mágoas e amigo que por muitas vezes foi o teu chão para não desabar. Têm amigos de todos os jeitos. E não importa qual desses tipos de amigo seja vc, o amigo de verdade estará sempre por perto para te amar. Amigos são a maior prova de que Deus cuida de nós.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Write about us

Eu não sei bem o que aconteceu, mas eu já cansei de decifrar. Enfim. Conheço esses sintomas de - "estou com a atenção em outra coisa no momento, ou outro alguém". Esperei uma vez, de novo não. Eu não sei bem o que tá rolando, mas como sempre, é passageiro. É só uma questão de tempo até a liberdade e egoísmo te levarem para outras bandas. Sem minimamente pensar no que ficou, ou em quem ficou. Eu não sei bem por onde andas, mas é tão previsível. Acontece que eu perdi a saudade. Perdeu-se a nossa amizade. E daqui alguns anos, verás o que realmente perdeu, o precioso tempo. Perderá a paz, o desejo, o prazer, todo o dinheiro. E de tão distante, voltarás. Hoje é tudo tão bem planejado né? E nessa vida tudo que plantamos, colheremos. Plante merda e, colherá merda.

Eu já escrevi de amor aqui, de saudade, de loucura também. Mas quando decidi escrever sobre nós... Eu não poderia deixar de citar que ainda estou aqui. Assistindo o seu plano te frustrar. Não importa o que se passe, sempre estarei em sua mente, um lugar distante do coração. Mas estarei presente. Só agora eu entendi isso. Tudo bem, eu já vi que tem mais gente do que eu calculava. É incrivelmente surpreendente como ainda não foi o bastante para vc. O que aumenta ainda mais um preço que não é meu. Nem de ninguém além de ti. Sim, eu chorei e, senti muita raiva também. Depois vi que tenho tudo. Absolutamente tudo. Então, conclui que, vc era quem precisava de mim. Unicamente isto.

Quando não conseguir nada. Quando tudo que planejou cair como preço para que pagues. Quando perder tudo que te falei. Quando tiver jogado todos os que prestaram fora. Quando tua maior ferramenta se levantar contra ti. Quando ver que foi um idiota. Quando faltar alguém para se importar. Quando amargamente se arrepender do tempo perdido. Quando tiver ido até longe ver que tudo estava aqui. Quando não houver mais tempo. Quando o voo for confirmado no painel. Volta. Eu vou estar no mesmo lugar para ouvir sobre suas aventuras e fracassos. Sobre como amou aquela paixão que te destruiu ao ponto de voltar. Sem dúvida eu estarei esperando. Vou sorrir e te provar mais uma vez que eu tenho o maior amor do mundo.

Estaremos sempre ligados, como sempre foi desde que nascemos, ninguém jamais explicará isto. E como combinamos, nem queremos entender. Por isso vale a pena escrever sobre nós. Decidimos essa eternidade. Afinal, isso que é amizade. Não estar necessariamente juntos. Pessoas assim nem sempre escolhemos, a vida sabe como eu desejei nem ter te conhecido. Mas o que seria de nós? Ver algo legal e não pensar "preciso contar isso à..." Eu te garanto, que durante toda a sua vida, em tudo que passar, cada coisa que conhecer, cada decisão que for tomar, me fará presente. Mesmo que essa paixão me esconda por enquanto. "Só a gente é legal o bastante". Volta sim, sou eu quem irá lhe dizer: Comece de novo!

Este texto eu fiz para um velho amigo, que partirá, mas nem tão logo, voltará.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Divirta-se !

Conheci o escritor Harlan Coben, inevitavelmente virei fã. Muito fã. Em um de seus livros ele cita o ditado que diz "A gente faz planos e Deus ri". Não, ele não escreve auto ajuda, eu não tenho saco para isso. São suspenses policiais, meio nada a ver comigo para quem me conhece, mas absolutamente intrigante, envolvente, misterioso, o que já tem total ligação comigo. Mas mais do que tudo o que conta no livro, que me fez ficar o dia inteiro hoje na livraria e sair com o livro nas mãos, foi esse ditado debochado da parte 1. Tanto quanto realista e cômico. Me lembrou um pouco a minha vida até aqui e eu ri bastante. Rir em um livro de suspense soaria desespero se não estivéssemos falando de Coben, mas não vou me justificar tanto. O que também me lembra aquela frase de que tudo tem o seu tempo determinado, todos falam isso o tempo todo para se aliviarem de suas vidas não tão boas; e até mesmo a Bíblia diz isso, na versão mais coerente que já li, aliás. Que tudo passa e tem seu tempo determinado a gente tá cheio de saber. No entanto, o que fazer até que esse tempo chegue é que me intriga. Típico da minha neurose ansiosa e mimada, mas duvido que eu seja a única a sentir isso. 

Tu pode jogar toda a responsabilidade no tal destino e fazer nada da vida, aceitar que a vida era aquilo mesmo, passaria rápido e tu não conquistaria muitas coisas como se tivesse planejado. Isso também alivia uma vida não tão boa. Assumir que nada foi feito também é uma saída. Mais realista de fato. Em uma redação de filosofia na faculdade, eu escrevi sobre o que eu achava que era viver, esse trabalho foi pedido no mês em que conheci a morte pela primeira vez em minha família. E então eu disse que viver para mim era distrair a certeza que temos de que iremos morrer um dia. Foi o meu único 10 até a formatura. Após 6 anos, ainda acho isso. Mas hoje vejo outros destinos além da morte. Podemos nos distrair até que o sonhado emprego chegue; por exemplo, aprendendo tudo que posso aonde eu estiver trabalhando. Absolutamente tudo é aprendizado, eu aprendi isso. Conversar com uma criança é aprender. Ler a "Bíblia da Menina" para minha filha é aprender igualmente quando tiro um tempo para ler psicanálise. E a cada vez que releio os capítulos, aprendo coisas novas. Até que chegue o tempo determinado das coisas que desejamos, até que aquele nosso plano não aconteça, distrair-se aprendendo é a melhor saída. Aos meus olhos jovens. O ditado diz que Deus ri, não no sentido literal eu vejo, mas nos dizendo como somos pequenos diante d'Ele e da vida. Nossos planos são piadas para Quem realmente sabe. Sabe do futuro. Ignorância é jogar tudo na mão de Deus, covarde também. As pessoas estão cada vez mais deprimidas com essa teoria cheia de religiosidade.

Se absolutamente tudo é aprendizado, o que tiver no caminho, é distração. Então divirta-se com cada amor, cada ódio, cada pessoa, cada momento, tu está aprendendo com eles. Eu ainda não tenho um título para essa minha teoria maluca. Mas estou aqui pensando que se formos aprendendo e evoluindo, talvez aquele destino passe desapercebido por nós, sem querer evoluímos além do que pensamos possuir um dia. Então, para quê tanta ansiedade? Se tem ansiedade, definitivamente, não tem preparo para a vivência. Uma paciente uma vez me disse que se fosse pensar na situação dela antes de tudo acontecer, ela não suportaria; mas agora que está vivendo se sente forte por alguma razão e consegue lutar. Eu acho que a vida é isso ai, ficamos ansiosos porque não estamos prontos, queremos à todo custo porque ainda não possuímos. Planejamos tanto e nos decepcionamos na mesma medida. Bob Marley disse algo sobre não levarmos a vida tão à sério, afinal a única certeza que temos é de que não sairemos vivo dela. É a distração que eu elaborei naquela redação. Chega de tantos planos, Deus tá "rindo" de tudo isso, enquanto a vida vai passando sem diversão nenhuma, tu vai se decepcionando com os planos de ontem. Deprimindo o hoje e comprometendo o amanhã. É um monte de datas, esquecendo-se do hoje. Pois bem, acabo de decidir o título de hoje.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Calma, filha!

Oi vó.
Há alguns anos tu te foi da minha vida, só eu sei o como foi e o que tem sido. Foi de repente, eu estava na fila do cinema, não tive a chance de te falar o que eu gostaria caso soubesse que naquela noite tu partiria. Hoje eu fui ao cinema com a minha filha... Vó, eu queria que tu tivesse tido a chance de conhecê-la e sei que faria disto uma coisa maravilhosa. Como fez com a nossa amizade. Ir ao cinema é prazeroso, mas para mim é sempre uma razão para lembrar da noite em que nos despedimos. Sei que tu foi embora, e não irá voltar nunca mais, também sei que jamais lerá esta cartinha, eu só quero registrar o que eu gostaria de te falar. Não só naquela noite horrível, mas em todos os dias em que tu faz falta por aqui. Teu cafuné de unhas longas e mãos leves faz muita falta. Quando a minha filha sorri, e aparece com cada novidade, faz falta tu aqui para chamá-la pelo nome completo naquele sotaque sulista, como sempre fez comigo: "Marília, vem aqui com a vó, olha o dindo aqui falando contigo". Eu ouço a tua voz dizendo isso e aperta tão forte aqui. 

O cheiro do teu cabelo nunca sairá da minha lembrança. Meus amores são baseados em cor, cheiro e música. Os nossos tons de bege e rosa antigo. Os cheiros de chás e cigarro. Eu não te levei ao show do rei, vó. Eu não cumpri minha promessa. Mas eu lhe garanto, cada vez que ouço suas músicas, eu penso em ti querida. Tu está em cada verso. A minha filha nasceu no dia do aniversário dele, fiquei orgulhosa disto. Meu fígado ainda anda muito ruim, eu costumo exagerar como sempre e tua acupuntura faz muita falta; minhas crises de enxaqueca também, tive que aprender a tomar remédios sem ti. Ah vó, eu ainda me pergunto porque tu teve que ir embora. Por quê? Eu me fiz tantos deste até hoje. As pessoas seguiram suas vidas, sei que muitos sofreram, mas falar que passa... Ah, passa nada! Os novos ciclos vão começando e eu queria que estivesse aqui para me ajudar. "Calma, filha!", era tudo o que eu precisava ouvir agora. A mana recebeu um diagnóstico tão difícil vó, tu saberia tratar isso tudo tão melhor que os médicos, tenho certeza. Só sabemos que somos fortes quando precisamos ser de fato.

Eu ainda como o nosso pão integral com requeijão e suco de caju no café da manhã, hoje eu entendo a importância dele ser integral e o requeijão "suficiente", tu só queria o meu bem. Queria ter tido mais tempo contigo, foram 17 anos, muito pouco para uma vida. O papai Noel voltou a nos visitar vó, a Sophia adorou! O fim de ano é sempre mais difícil, no reveillon tu me abraçava e dizia "Aproveita a vó filha!"; eu te aproveitei. Graças a Deus eu fiz isso. Essa semana minha filha completará 1 ano de idade, ela é tão doce, tão companheira. Tenho certeza que vocês iriam se dar muito bem. Tô cuidando pra ela não ser gordinha, sei que não está preocupada, mas se estivesse aqui estaria preocupada com isto. Ela come muito bem. E também gosta dos meus esmaltes, ela sempre escolhe os vermelhos, acho que puxou à nós. Ela não é loira como o vô, mas tem os olhos dele, ele ficaria orgulhoso. Vó, vou me despedindo. Tu foi uma grande amiga, aquela que ninguém jamais ocupará o lugar. Alguém que a minha filha saberá quem foi. Obrigada por cada carinho, cada viagem ao Sudeste pelo litoral, nas dunas, mares, hotéis, estradas que fomos juntas, cafés da manhã, pipocas, chás e mates. Amargas saudades. Aquele nosso abraço, beijo da tua Marília.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Unhas

Quem me conhece sabe minha loucura por unhas e esmaltes. Sei que meninos também leem meu blog, mas segue um momento "Luluzinha". Indicação de um Blog com tudo sobre Unhas, dica da moda, estação, ano, decorações, cuidados, enfim... Tudo que nós, meninas, merecemos saber!!


Tá ai! Valeu... beijos femininos hoje.