
Uma pergunta que está em comunidades do Orkut superlotadas e sem dúvida alguma, na mente de todos os estudantes de psicologia. Falta um semestre para o fim das disciplinas na faculdade, ano que vem finalizo os últimos estágios e faço o aterrorizante TCC. Uma das primeiras coisas que me falaram quando eu ingressei na faculdade, com 17 anos, era que esses 5 anos voariam, que eu teria de ler de mais e também que fazer terapia seria lei. Informações um pouco assustadoras, porém incapazes de me fazerem desistir. Todas eram verdades. O que não me falaram é que após conhecer a psicologia, eu jamais seria a mesma, então eu me pergunto: Existe vida após a Psicologia?
.Meus primeiros contatos com Freud me mostraram que meu mal estar em sociedade não é algo tão errado assim, o que me deixou ainda mais anti social. Melanie Klein me ensinou que sentir inveja é natural em todos nós e que querer aniquilar a mãe é bem justificado, assim como, um imenso desejo de reparar isso minutos depois. A filosofia foi o fator desencadeante da minha loucura, apenas um semestre para acabar com 17 anos de uma Marília pré construída, foi onde entrei na famosa crise existencial, meu seminário de Existencialismo foi o pior da sala, tenho certeza, mas foi um nove que eu tirei na minha redação filosófica sobre a morte (já postado aqui há bastante tempo). É verdade que não saímos por aí analisando tudo que vemos pela frente, mas também é verdade que se achar meio psicótico histérico, meio esquizofrênico, meio psicopata, meio autista; a cada novo diagnóstico estudado é terrivelmente angustiante.
.Por um certo tempo, Jacques Lacan me convenceu de ser vítima de muitos perversos. Com o tempo isso vai passando e vamos aprendendo que nem sempre um abraço vai atrapalhar na seriedade de um trabalho bem feito. Aprendemos que sentir a dor do outro nos faz humanos com a linda capacidade de empatia, o que prova não sermos psicopatas. Aprendemos que controlar essas emoções nos faz profissionais competentes e já esclarece uma não psicose rs. E também que a perversão está em quem menos imaginamos. Embora eu jamais seja o que fui antes de entrar para este mundo de malucos, mesmo estando em terapia Lacaniana me sentindo a maior doida do universo e sem previsão de alta, eu não teria escolhido qualquer outro curso além deste.
.Foi vendo crianças abusadas; casais desesperados com filhos "capetas"; pessoas a minha frente acreditando que eu poderia ajudá-las; sendo chamada de "mãe" em creches e tendo que barrar isso fazendo o meu papel; foi saindo da regra e jogando futebol nessa mesma creche com a mulecadinha; foi ouvindo pessoas desequilibradas em choros, risos, gritos, risadas, surtos etc; foi acreditando na história daquele esquizofrênico para poder conhecê-lo melhor, foi errando o diagnóstico sendo levada como uma completa neurótica pelo perverso paciente... Que eu percebi que é para isso que eu nasci. Seja lá qual Marília eu esteja me tornando. Estou disposta a esquecer a antiga, por que só sendo esta de hoje, após o pouco que já passei diante do que ainda quero, que eu encontrei a MINHA vida. A vida só não existe, como a minha só fez sentido, após a Psicologia. Acabou de começar...